04 abril, 2009

Campo Santo

Nunca tinha visto aquele jardim. Não com estes olhos, não como se fosse meu.
Era um imenso gramado áspero. Orvalhado em pequenas e múltiplas gotas gélidas.

Por perto, flores azuis. Claras, rijas, frias.
A árvore chorava suas folhas secas sobre a grama, sufocando-a. Ninguém notava.
O mármore cinza, inerte, fitava-me e mostrava as suas datas e dores. Eu silenciava.
Os caminhos, todos de pedra, formavam ruelas estreitas, longas, sem saída.
Eu olhava o muro. Mas o céu estava longe.

2 comentários:

Claudia disse...

Lindíssimo!

Cecilia Egreja disse...

Obrigada, querida. Apesar de triste, este é um dos que mais gosto. Beijos