29 janeiro, 2007
Ecossistema
Riu o pato da cobra,
que sem perna
e sem pata,
se arrastava pelo chão.
mas a cobra em silêncio,
quando ouviu o gracejo,
encontrou a refeição.
E balançou o seu guiso
como quem entoa uma canção.
A casa
21 dezembro, 2006
06 novembro, 2006
Presença (Mário Quintana)
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente,
o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
...e nas estrelas teus olhos ver (fotografia-Juanes)
24 outubro, 2006
carta ao desamor
Venho através desta
pedir o seu perdão.
Não tive a intenção...
Venho humildemente
confessar meu desamor.
Perdoe-me,
não fui capaz.
Sem mais, despeço-me,
atenciosamente, Cecília.
pedir o seu perdão.
Não tive a intenção...
Venho humildemente
confessar meu desamor.
Perdoe-me,
não fui capaz.
Sem mais, despeço-me,
atenciosamente, Cecília.
22 outubro, 2006
Moacyr Mendes
Já falei dele anteriormente, mas além de tudo que eu disse, faltou dizer que é um grande poeta. Olha isso, se não é pra emudecer...
Uma expectativa formigante lambe meus olhose me obriga a reinventar paisagens.Os dias me cortejam desassossegados
entre o grafite e as palavras.Na memória, busco faminto a amplidão de tua voze marco com intolerância a silhueta de horizontes vazios.Não peçam moderação a quem espera.
Quem quiser ler outros deliciosos textos e poemas dele clique aqui
21 outubro, 2006
Futuros Amantes- Chico Buarque de Hollanda
http://www.youtube.com/watch?v=59P64-TtOKY
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
16 outubro, 2006
Beijos de boa noite
Entre palavras e fotografias
o sonho antecedeu a noite
de chuva, insônia e desejos.
Vontade de gritar o seu nome
e calar a minha boca com seus beijos.
o sonho antecedeu a noite
de chuva, insônia e desejos.
Vontade de gritar o seu nome
e calar a minha boca com seus beijos.
13 outubro, 2006
Ousadia
Não tenho medo da verdade,
porque ela me faz livre.
E liberdade é o que quero.
Não serei escrava de mentiras,
nem fugir da minha história
e ser fantoche de mim mesma.
Não cantarei em versos
os poemas que não fiz,
nem apagarei as manchas
das páginas rasuradas.
Se penso, sinto.
Se falo, faço.
Se gosto, amo.
Se quero, tento.
Sou o que posso ser- eu mesma.
Esta é minha ousadia.
porque ela me faz livre.
E liberdade é o que quero.
Não serei escrava de mentiras,
nem fugir da minha história
e ser fantoche de mim mesma.
Não cantarei em versos
os poemas que não fiz,
nem apagarei as manchas
das páginas rasuradas.
Se penso, sinto.
Se falo, faço.
Se gosto, amo.
Se quero, tento.
Sou o que posso ser- eu mesma.
Esta é minha ousadia.
02 outubro, 2006
outro caminho
27 setembro, 2006
Loucuras
22 setembro, 2006
13 setembro, 2006
Viagem
08 setembro, 2006
(des)confiança
07 setembro, 2006
Estupro
Poderia deixar esta folha em branco.Uma criança faria um desenho,
alguém escreveria uma carta de amor,
um homem calcularia o seu lucro,
um artista faria uma obra.
Mas eu , por pura pretensão, a usei.
Abusei do branco do papel,
que era virgem, imaculado.
Num ato de rebeldia,
numa atitude devassa,
manchei com palavras.
Não controlei meus impulsos,
não vigiei meus instintos,
violentei o papel,
cobri de letras
e fecundei um poema.
Notícias bizarras
E você pensando que já viu de tudo na vida...Clique nas notícias para ver os detalhes.
Esquilo quebra nariz de cantor de ópera.
Implantes de silicone salvam israelense de míssil
Elefantes embriagados morrem eletrocutados
Homem preso por roubar 2,5 mil calcinhas no Japão
Mulher de 80 anos roubava idosos para ir a cassino
Suecos se embebedam com sabonete alcoólico
Piadas sobre loiras tornam raciocínio delas lento
Cientistas inventam leitão que brilha no escuro
Pílula anti-estupidez é sucesso entre moscas
Turco foge com a mulher do amigo e oferece a sua
Polícia chinesa reprime striptease em enterros
Ladrão usa hipnose para roubar caixa
Vaca cai do céu dentro de uma cozinha em varginha
Policial é confundido com stripper e perde a roupa
Moscas gladiadoras travam duelo em mini-coliseu
Deputado do Piauí é enterrado em pé
Pode?
24 agosto, 2006
"Liga da justiça"
Mea Culpa
23 agosto, 2006
Atraso Pontual _ Paulo Leminski
Ontens e hojes,amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bênçãos e desgraças vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio. Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?
17 agosto, 2006
Saudade
Saudade, amor saudade.
Não mais a vida,
não mais a lua,
não mais o sol.
Apenas a saudade
liquefeita
Não mais a vida,
não mais a lua,
não mais o sol.
Apenas a saudade
liquefeita
sobre o branco do lençol.
Pablo Neruda - se cada dia cai
16 agosto, 2006
Anoiteço
Opto pela escuridão.
Apago meu sol
e deixo que as sombras
me mostrem o que não sou.
Vou pra um lugar que não me cabe,
e, espremida tento me ajeitar
num espaço inconcebível.
Ouço a música de seus lamentos
e calo minha alegria.
Escureço. Silencio. Permaneço.
Num grito inaudível
digo o que não se cala.
Alguém, ao longe, escuta
e não me diz nada.
Observo. Analiso. Anoiteço.
E fingindo-me resignada,
adormeço.
Apago meu sol
e deixo que as sombras
me mostrem o que não sou.
Vou pra um lugar que não me cabe,
e, espremida tento me ajeitar
num espaço inconcebível.
Ouço a música de seus lamentos
e calo minha alegria.
Escureço. Silencio. Permaneço.
Num grito inaudível
digo o que não se cala.
Alguém, ao longe, escuta
e não me diz nada.
Observo. Analiso. Anoiteço.
E fingindo-me resignada,
adormeço.
Sedução - Haroldo Ferreira
O pássaro que voa dentro de mim
é incerto demais para fugir
para romper esta gaiola de desejos
para espetar seu canto
em tanto silêncio
simplesmente pousa e cisca
nesse jardim em chamas.
é incerto demais para fugir
para romper esta gaiola de desejos
para espetar seu canto
em tanto silêncio
simplesmente pousa e cisca
nesse jardim em chamas.
Enfado
de uma luneta,
vi a lua.
A mesma a lua
que mudava de fases
e permanecia cheia.
Próxima como nunca a vi,
bela como sempre,
mas porque, meu Deus,
nela não havia poesia?
Parece, que mesmo cheia,
está constantemente
minguando?
Foi a lua que mudou,
perdeu a graça,
vi a lua.
A mesma a lua
que mudava de fases
e permanecia cheia.
Próxima como nunca a vi,
bela como sempre,
mas porque, meu Deus,
nela não havia poesia?
Parece, que mesmo cheia,
está constantemente
minguando?
Foi a lua que mudou,
perdeu a graça,
se desfez,
ou fui eu que,
diariamente minguava,
e me enchi de vez?
ou fui eu que,
diariamente minguava,
e me enchi de vez?
Impressionista - Adélia Prado
"Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo."
Retrato - Cecília Meirelles
Assinatura
Bagunças e bizarrices...
01 agosto, 2006
amor - Paulo Leminski
Amor Maior
Pudesse eu ter por toda vida
a beleza que seu sorriso principia.
Pudesse eu beber sedenta
cada palavra que sua boca pronuncia.
Pudesse eu, meu grande amor
ser sua eternamente,
me entorpecendo com seus beijos,
me envolvendo em seus braços,
me deixando levar por onde você for.
Pudesse eu ser a brisa
que suavemente o seu rosto toca,
o sol que permeia o seu corpo,
a flor que leva o encanto aos seus olhos.
Pudesse eu envelhecer ao seu lado,
fazer preces pra lhe espantar a dor,
contar estórias pra te adormecer,
e dormir entrelaçada ao seu corpo
esperando que o seu cheiro se perpetue em mim.
Pudesse eu ficar com você por muitos anos,
caminhando por uma estrada infinita,
navegando por intermináveis oceanos.
Sempre, sempre além da paixão,
além do tempo, além da despedida,
com você, amor maior
em minha vida.
a beleza que seu sorriso principia.
Pudesse eu beber sedenta
cada palavra que sua boca pronuncia.
Pudesse eu, meu grande amor
ser sua eternamente,
me entorpecendo com seus beijos,
me envolvendo em seus braços,
me deixando levar por onde você for.
Pudesse eu ser a brisa
que suavemente o seu rosto toca,
o sol que permeia o seu corpo,
a flor que leva o encanto aos seus olhos.
Pudesse eu envelhecer ao seu lado,
fazer preces pra lhe espantar a dor,
contar estórias pra te adormecer,
e dormir entrelaçada ao seu corpo
esperando que o seu cheiro se perpetue em mim.
Pudesse eu ficar com você por muitos anos,
caminhando por uma estrada infinita,
navegando por intermináveis oceanos.
Sempre, sempre além da paixão,
além do tempo, além da despedida,
com você, amor maior
em minha vida.
Má educação

" Nunca deixei que o período que passei na escola interferisse em minha educação."
Mark Twain
Que me perdoem os fãs do "Educandário" Coração de Maria, mas alguém já passou incólume por ele? Absoluta falta de psicologia. Praticamente um reformatório. Se a criança tem um problema, alí vira uma patologia. De lá, de bom, só me restaram os amigos. E poucos.
Curriculum Vitae
O que colocar no meu curriculum?
Cecília Egreja,
sorocabana,
sexo feminino.
Fez amigos,
fez amores,
fez festa de aniversário.
Escreveu um livro,
plantou uma árvore,
não teve filhos.
Mora sozinha
e sozinha cuida da casa
espantando seus fantamas.
Come quando tem fome,
bebe quando tem sede,
ri quando a porta se abre
e chora com o vaso quebrado.
Se o dia está triste
fecha a janela
pregando um novo cenário.
Nasceu com o sol em gêmeos
e a lua em sagitário.
Ah, meu Deus!
Eu não tenho curriculum.
Minha vida só comporta
uma página de diário.
Cecília Egreja,
sorocabana,
sexo feminino.
Fez amigos,
fez amores,
fez festa de aniversário.
Escreveu um livro,
plantou uma árvore,
não teve filhos.
Mora sozinha
e sozinha cuida da casa
espantando seus fantamas.
Come quando tem fome,
bebe quando tem sede,
ri quando a porta se abre
e chora com o vaso quebrado.
Se o dia está triste
fecha a janela
pregando um novo cenário.
Nasceu com o sol em gêmeos
e a lua em sagitário.
Ah, meu Deus!
Eu não tenho curriculum.
Minha vida só comporta
uma página de diário.
25 julho, 2006
Dependência
Paulo Leminski
Razão de ser - Paulo Leminski
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
09 julho, 2006
16 junho, 2006
Olhos abertos
predileção
11 junho, 2006
sem amor
31 maio, 2006
O RIO

Sonhei
que estava frente a um rio
e nele me joguei, me banhei,
afoguei, emergi e me salvei.
Ali fiquei nadando
de uma margem à outra.
Engoli muita água
e não mais me afoguei.
Não sei... era um rio...
Um longo rio
de águas ora claras,
ora turvas.
Por vezes se assemelhava
a um grande lago de águas calmas
e outras vezes me arrastava
em meio a um turbilhão.
Era um rio...
que estava frente a um rio
e nele me joguei, me banhei,
afoguei, emergi e me salvei.
Ali fiquei nadando
de uma margem à outra.
Engoli muita água
e não mais me afoguei.
Não sei... era um rio...
Um longo rio
de águas ora claras,
ora turvas.
Por vezes se assemelhava
a um grande lago de águas calmas
e outras vezes me arrastava
em meio a um turbilhão.
Era um rio...
Mas no meu sonho se chamava vida.
Veludo
Já fui veludo?
Nem sei. Talvez sim.
Hoje sou um tapede felpudo
pra você repousar os seus pés.
Não sou tecido, nem feita de seda
ou qualquer coisa assim.
Não sou macia,
nem tenho espinhos.
Sou simples,
mera textura,
fazenda sem arremate.
Sou eu,
uma parte pano de chão,
outra tricotada a mão.
Delicada trama,
áspero toque.
Linhas frágeis,
destino miúdo.
Eu, pedaço pequeno,
restos de um veludo?
Não sei..
Sempre mudo.
Poema feito pro Vlad, que me dizia ser um "veludo".
Amigo e escritor. Vale a pena conferir seu blog:
http://pontesdisfarcadas.zip.net
Nem sei. Talvez sim.
Hoje sou um tapede felpudo
pra você repousar os seus pés.
Não sou tecido, nem feita de seda
ou qualquer coisa assim.
Não sou macia,
nem tenho espinhos.
Sou simples,
mera textura,
fazenda sem arremate.
Sou eu,
uma parte pano de chão,
outra tricotada a mão.
Delicada trama,
áspero toque.
Linhas frágeis,
destino miúdo.
Eu, pedaço pequeno,
restos de um veludo?
Não sei..
Sempre mudo.
Poema feito pro Vlad, que me dizia ser um "veludo".
Amigo e escritor. Vale a pena conferir seu blog:
http://pontesdisfarcadas.zip.net
tempestade
hiato criativo
vaga-lume
Pudesse eu
brilharia no céu
feito estrela.
Incapaz,
sou vaga-lume,
reluzindo à esmo
entre flores
sem perfume.
Bolha de sabão
Tem pessoas que aparecem na vida da gentepra testar o que somos...
Brincam com nossa essência,
desafiam nossa paciência,
testam nosso equilíbrio
e acabam por conseguir o que querem.
Por um tempo...
E nós, embasados nas parcas emoções que vivemos,
deixamos de lado pequeninas coisas,
que somadas, pesam mais
do que o outro vale.
E estas coisas,
as pequeninas,
o insignificante,
o outro,
o tudo,
o quase nada,
é apenas algo como
uma bolha de sabão.
Forma perfeita,
que flutua
encanta
e explode no ar.
Sem deixar marcas .
Nem saudade.
2006
adeus
Foto José Carlos Egreja
O dia,
alheio à minha paixão,
impiedosamente amanhece.
Luz traiçoeira,
que sem pedir licença,
ilumina meu quarto
e me escurece
por inteira.
Fez-se a saudade
do que ainda é presença.
Fez-se o dia
de uma noite ilimitada.
Adeus,
palavra que em meu peito
morre sufocada.
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